Autarquia alcouteneja aprova moção para exigir "cobertura digna". O edil Francisco Amaral defendeu que deveriam ser a PT e a ANACOM a suportar os custos da mudança para Televisão Digital Terrestre (TDT) nos casos das pessoas mais carenciadas.
Depois de a Câmara Municipal de Monchique ter solicitado o adiamento do apagão analógico e o reforço da cobertura da Televisão Digital Terrestre (TDT) naquele concelho, na última semana foi a Câmara Municipal de Alcoutim que aprovou, por unanimidade, uma moção solicitando ao Governo e à ANACOM "uma cobertura TDT minimamente digna, tal como acontece no país em geral".
O apagão analógico só está previsto para o final do mês de abril nos concelhos do sotavento algarvio, mas a autarquia alcouteneja recorda que, de acordo com estimativas, cerca de 80 por cento da área daquele município não tenha cobertura. "Teremos de recorrer à via satélite, o que representa custos muito elevados (kit TDT complementar, antena parabólica e instalação) para uma população tão fragilizada", frisa o executivo na moção aprovada.
Entretanto, o presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Francisco Amaral, já defendeu que deve ser a PT e a ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) a suportar os custos da mudança nos casos das populações mais idosas e carenciadas. Refira-se que um descodificador de TDT pode custar cerca de 30 euros. Porém, nos casos em que a receção do sinal tiver de ser efetuada via satélite, o custo ultrapassa os 100 euros. Curiosamente, no Algarve, as zonas onde o sinal é mais fraco ou inexistente coincidem com áreas onde reside população idosa e, na maioria dos caos, com reformas muito baixas.
"O concelho de Alcoutim, situado no nordeste algarvio, possui uma centena de povoações dispersas, com uma população maioritariamente envelhecida, pobre e isolada, tendo, na maioria das vezes, a televisão como única companhia diária. Daí, a desumanidade desta medida e a injustiça que penaliza os portugueses mais fragilizados", conclui a moção aprovada pela Câmara de Alcoutim.
Muitas zonas com fraca cobertura
Mas esta situação não afeta apenas os concelhos de Monchique e de Alcoutim. Muitos dos municípios algarvios com povoações localizadas na serra algarvia poderão vir a ser afetados pela falta de sinal, já que a cobertura é escassa, mesmo atualmente e com sinal analógico.
Nas restantes zonas do Algarve, onde já é captado o sinal digital há alguns meses, várias pessoas queixam-se de também ainda não conseguir aceder aos canais via TDT, mesmo com descodificadores ou com aparelhos de televisão compatíveis. Nalguns casos, a situação acabou por ser resolvida através da mudança de antena e de cabos, ou da aquisição de um amplificador. É que a TDT não necessita de renovação do equipamento exterior, desde que este não se encontre deteriorado. Ou seja, o sinal analógico pode ser captado perfeitamente mesmo com antenas e cabos mais antigos, mas pode haver alguma dificuldade para captar o sinal digital. Nestas situações, a mudança poderá implicar mais algum custo do que a simples aquisição do descodificador.
Desligamento no sotavento só a 29 de abril
A primeira fase do apagão analógico, agendada inicialmente para o passado dia 12 de janeiro, deveria ter incluído todo o barlavento algarvio, mas a ANACOM decidiu recalendarizar as datas e só desligou o emissor de Palmela e os retransmissores de Alcácer do Sal, Melides e Sesimbra.
O sinal analógico do emissor Foia-Monchique e dos retransmissores de Aljezur, Odeceixe, Monchique, Silves, Odemira, Cercal do Alentejo e Santiago do Cacém só foi desligado na passada segunda-feira, dia 23. Até ao dia 13 de fevereiro terá lugar o desligamento dos restantes emissores que cobrem a faixa litoral ocidenteal do país. Na faixa mais interior do país, incluíndo o sotavento algarvio, o desligamento só ocorrerá no dia 29 de abril.
fonte:http://aeiou.expresso.pt/