Duas mil famílias que vêem televisão na zona da Nazaré através da tradicional antena em cima do telhado vão ter de usar um descodificador a partir de 13 de Outubro, altura em que o sinal analógico será desligado. Será a última região-piloto, depois de Alenquer e Cacém. A escolha destas localidades teve a ver com questões técnicas e o envolvimento do poder local – Câmara e Juntas de Freguesia.
Na zona da Nazaré vão ser abrangidas as freguesias de Famalicão, Nazaré e Valado dos Frades, no concelho da Nazaré, e Alfeizerão e Cela, no concelho de Alcobaça. Parte da freguesia de Alfeizerão e de Famalicão vai ter televisão por satélite, em condições idênticas à cobertura digital terrestre.
O sinal analógico será desligado a 12 de Janeiro de 2012 na faixa litoral entre o Minho e Algarve, a 22 de Março nos Açores e Madeira e a partir de 26 de Abril do próximo ano Portugal já só terá emissões de televisão digital terrestre (TDT).
“No Cacém 120 famílias queixaram-se de ter ficado sem televisão e em Alenquer apenas uma pessoa contactou a linha de atendimento da TDT, o que corresponde a 0,5% do total de famílias abrangidas. Se acontecesse esta proporção a nível nacional ficávamos muito satisfeitos, até porque a solução foi as pessoas terem de ir comprar descodificadores, cujos preços variam entre os 30 e os 180 euros, e podem ser comparticipados, pelo que não houve uma única pessoa a dizer que o problema não foi resolvido”, revelou Eduardo Cardadeiro, administrador da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações), numa sessão de apresentação da TDT à imprensa, na semana passada, no restaurante São Miguel, na Nazaré.
Beneficiários do Rendimento Social de Inserção, reformados e pensionistas com reformas inferiores ou até 500 euros mensais e pessoas com grau de deficiência igual ou superior a 60%, terão comparticipação em metade do valor do descodificador necessário (até ao limite máximo de 22 euros), caso as televisões não estejam preparadas para receber a TDT. As instituições de natureza social que tenham mais do que uma televisão, beneficiam igualmente de apoio. O kit de televisão por satélite – que custa 55 euros – também é comparticipado em 22 euros para as populações carenciadas que se enquadrem nos grupos referidos. A instalação custa 61 euros.
Está a ser recolhida informação estatística que permita saber quantas pessoas já usufruem da TDT, quantos descodificadores foram adquiridos e quantos pedidos de subsídio especial foram efectuados. Estima-se que cerca de 1,4 milhões de famílias sejam abrangidas pela transição para a TDT. Foi divulgado que 13% da população receberá o serviço por satélite.
“Só tem de se preparar quem receber os quatro canais de televisão (RTP1, RTP2, SIC e TVI) pela tradicional antena em cima do telhado. As outras que recebam sinal por satélite ou cabo não têm de fazer nada e tudo vai continuar como agora”, esclareceu Eduardo Cardadeiro.
Desde o final do ano passado que a TDT está disponível em todo o território nacional. Por isso, qualquer pessoa, em qualquer local, pode mudar já para a TDT.
“Não deve deixar para a última hora, porque corre o risco do equipamento desejado estar esgotado na loja ou ter de encomendar o satélite”, referiu o administrador da ANACOM.
“Para além da qualidade da imagem, existe um conjunto de funcionalidades como um guia de programação electrónico, possibilidade de pausa da emissão e gravação de programas. Muda muito a experiência de ver televisão”, manifestou Eduardo Cardadeiro.
4ª geração móvel utiliza espectro livre
O Governo ainda não anunciou o destino a dar ao espectro que fica livre com a implementação da TDT. “Vão ficar livres 40 canais radioeléctricos na sequência do desligamento do sinal analógico de televisão. Não compete à ANACOM decidir qual o fim a dar a esses canais. Compete ao Governo, à ERC e a outras entidades competentes na área audiovisual, definir que outros serviços se vão prestar utilizando essas frequências”, declarou Eduardo Cardadeiro.
“Na sequência da coordenação com Espanha está previsto que possa haver mais canais da rede de televisão digital terrestre, que possa haver televisão móvel e que possam existir canais regionais e com coberturas distritais. Há um conjunto enorme de serviços audiovisuais que podem ser prestados utilizando as frequências que vão ficar libertas”, referiu.
Segundo revelou, haverá frequências que vão a leilão para utilização na 4ª geração móvel, na faixa dos 800 megahertz. “São 9 em 46 canais que vão ser utilizados para comunicações electrónicas”, indicou.
Autarcas satisfeitos
Jorge Barroso, presidente da Câmara Municipal da Nazaré, considera “uma vantagem sermos um concelho-piloto porque permite maior atenção da parte dos operadores nesta mudança, maior disponibilidade dos agentes agora do que depois quando terão de olhar pelo país inteiro”, sustentando que “é importante que as pessoas se preparem atempadamente”.
A própria autarquia, reconhece, ainda está a preparar-se para a mudança, pretendendo aproveitar as ajudas a conceder previstas para as instituições para também efectuar a migração para a TDT nos serviços municipais onde haja televisão.
Paulo Inácio, presidente da Câmara de Alcobaça, também considera que “é bom estarmos na vanguarda de um melhor serviço”, declarando que “esperamos que os nossos munícipes se preparem para esta mutação, porque vai melhorar a qualidade de vida”.
“É uma necessidade mínima básica ter uma televisão por família, tem um estatuto quase similar ao serviço de electricidade e água”, argumentou, revelando que “em situações excepcionais”, a autarquia poderá complementar o subsídio concedido para comparticipar a compra do kit TDT.
Na Biblioteca da Nazaré foi realizada na passada quarta-feira uma sessão de informação, onde ninguém compareceu. No Centro Cultural de Alfeizerão estiveram duas dezenas de pessoas.
O que os espectadores precisam de saber
Com a TDT, o telespectador vai continuar a assistir aos quatros canais abertos de forma gratuita, não pagando qualquer mensalidade.
Quem tem um serviço de televisão paga não precisa de fazer nada para se adaptar à TDT. Os restantes terão de verificar que a televisão está apta a receber a TDT. Se no manual técnico, ou na parte de trás do aparelho, estiver a referência DVB-T e MPEG4/H.264, significa que tem apenas de ir ao menu, escolher a sintonia digital e sintonizar automaticamente os canais. Nalguns casos, a antena poderá ter que ser redireccionada, isto porque nem sempre o emissor/retransmissor está localizado no mesmo sítio onde estava o emissor analógico.
Caso a televisão não tenha as referências indicadas, deve pelo menos ter uma entrada SCART (com 21 pinos) ou HDMI, pois ambas permitem ligar um descodificador para ver a TDT. Deverá ser dada preferência aos descodificadores que sejam compatíveis com alta definição, para não terem de ser substituídos no futuro.
Será necessário adquirir um descodificador para cada televisão. São vendidos em lojas de electrodomésticos e electrónica e têm preços a partir de 29,90 euros. Para ajudar os consumidores a fazerem uma compra informada, a ANACOM fez uma parceria com a DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, que analisa regularmente os descodificadores postos à venda no mercado e divulga os resultados.
Atenção às burlas
As práticas comerciais que levem os consumidores a acreditar que para continuarem a receber os canais em sinal aberto necessitam de subscrever um serviço pago são punidas com coimas.
Esta medida decorre de relatos de certas práticas que surgiram a propósito do desligamento do sinal analógico em Alenquer, onde houve situações de venda porta a porta e de contactos telefónicos com propostas de contratação de um serviço pago alegando ser o único recurso possível para continuar a ver televisão.
fonte:http://www.jornaldascaldas.com