Porto, Aveiro, Viseu, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, uma parte de Coimbra, Braga, Vila Real, Viseu, Guarda e Portalegre, e a franja litoral de Évora, Beja e Faro terão obrigatoriamente de passar para o serviço da TDT dentro de 18 dias, para poderem continuar a ver televisão em sinal aberto.
O fim total do analógico só vai acontecer no dia 26 de Abril, quando terminarem as três fases do “apagão” progressivo do serviço tradicional – o primeiro agora em Janeiro, o segundo a 22 de Março nos Açores e na Madeira, e o terceiro finalmente em Abril nos distritos de Viana do Castelo, Bragança, Castelo Branco e os territórios de Coimbra, Braga, Vila Real, Viseu, Guarda, Santarém, Portalegre, Évora, Beja e Faro não abrangidos pela primeira fase do “apagão” de Janeiro.
A contagem decrescente começou este ano – em Maio, com uma primeira zona piloto em Alenquer e, entretanto, no Cacém e na Nazaré. Mas haverá uma parte da população (10%), segundo estimou recentemente a consultora Gfk Metris, que desconhece que vai ter de mudar para a Televisão Digital Terrestre em 2012.
Apesar da crescente procura dos descodificadores que permitem a passagem para a TDT e da campanha que colocou nas ruas e domicílios uns seis milhões de guias sobre a introdução da TDT, a Anacom (Autoridade Nacional das Comunicações) reconhece que há quem vá ficar já em Janeiro sem televisão durante alguns dias.
A passagem da televisão analógica para a TDT precisa de ser feita por quem não tem um serviço de televisão paga, ou seja, por quem tem apenas os quatro canais de sinal aberto (e no caso das regiões autónomas, também a RTP Madeira ou a RTP Açores).
Numa casa, por exemplo, com duas televisões e em que só uma delas está coberta por televisão paga, o cliente apenas tem de fazer a migração na televisão tradicional. Nesse caso, mudar para a TDT implica a compra de um aparelho descodificador para essa televisão. Há, no entanto, algumas televisões mais recentes que já têm um sintonizador digital – compatível com a norma europeia TDT MPEG-4/H.264 – e que estão preparadas para receber a TDT.
Em Portugal, a última fase da introdução da TDT acontece seis anos depois de a televisão digital se ter generalizado nos principais mercados de televisão da Europa. Arrancou há dois anos em Portugal, mas só em 2011 começou a ser adoptada no terreno. Uma mudança que acontece, definitivamente, em Abril próximo, quando já tiverem passado 55 anos desde as primeiras emissões regulares da RTP.
O principal objectivo declarado para a implementação da TDT nos países europeus foi a multiplicação da oferta de canais, mas o redesenho da paisagem audiovisual foi dependendo da situação particular de cada um, entre três vectores – os canais públicos, os privados e os novos canais da TDT.
A Alemanha, por exemplo, privilegiou o crescimento do sector público, ao contrário de Espanha ou de Itália, enquanto, por outro lado, o Reino Unido e a França deram mais espaço à criação de novos canais pela televisão digital.
No final de 2011, são já 20 os países europeus – 16 da União Europeia (UE) – que terão desligado totalmente o sinal analógico.
Em Junho último, quando o Observatório Europeu do Audiovisual fazia um ponto da situação sobre a TDT na Europa, 15 países já tinham feito a migração completa: Alemanha, Áustria, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Dinamarca, Suíça, Estónia, Letónia, Eslovénia, Croácia, Espanha, Finlândia, Noruega e Suécia.
A estes juntam-se outros cinco que entram em 2012 com a TDT a funcionar na totalidade do território: França, Islândia, República Checa, Chipre e Malta. Bulgária e Roménia ainda não iniciaram a transição.
Com a migração completa ou a meses de terminar – como é já o caso de Portugal – a taxa de penetração da TDT nos países europeus está, em média, nos 53%, revela um estudo, datado de Setembro, do NPA, o conselho francês de acompanhamento e análise estratégica sobre os media. Isto significa que, neste momento, nos países onde está a ser implementada a TDT, o digital já supera percentualmente a cobertura analógica. São cinco os principais mercados televisivos europeus (uma extensão natural das maiores economias): Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha.
Espanha é, entre estes cinco países, aquele com maior taxa de penetração da TDT (79%), de acordo com dados publicados pela NPA sobre os mercados de referência do centro europeu.
Os generalistas são o tipo de canal mais presente na oferta da TDT nos cinco maiores mercados. Segundo o mesmo estudo, Itália tem 11 canais generalistas e o Reino Unido chega aos 14. Alemanha, Espanha, França e Reino Unido têm três canais de informação na TDT e Itália seis.
Segundo o cálculo mais recente da Mavise (o serviço da União Europeia para a informação estatística do mercado audiovisual europeu), a repartição de canais abrangidos pela TDT mostrava, na mesma altura, que as emissões locais ou regionais compunham a maior fatia (54%) na plataforma TDT. Os canais nacionais ocupavam, em Junho deste ano, 37% da cobertura e os canais internacionais 9%. Só estes dois segmentos somavam mais de 820 canais na TDT.
Portugal, com os seus quatro canais abertos (mais os dois canais das regiões autónomas) vai ser, a par com a Irlanda, o país com menor número de canais nacionais disponíveis na TDT. E com a privatização de um dos canais públicos programada pelo Governo para 2012, Portugal fica apenas com um canal de serviço público na TDT. Só haverá mais um país da UE com apenas um canal com capitais do Estado na televisão digital terrestre, o Luxemburgo.
Até à privatização (da RTP1 ou da RTP2), Portugal vai ser um dos seis países da UE apenas com dois canais públicos a emitir em sinal aberto na TDT. Do pequeno grupo fazem ainda parte a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Eslováquia e o Chipre, segundo contabilizou o investigador de media na Universidade do Minho Sérgio Denicoli.
Há 19 países europeus (14 da UE) com emissão de TDT através de serviço de televisão paga. Na TDT de sinal aberto (como vai acontecer em Portugal com os quatro canais e os regionais dos Açores e da Madeira), 40% dos canais são públicos. Na TDT paga, a média é muito inferior – representam apenas 8% da grelha de canais.
fonte:http://www.publico.pt/