Câmara de Montalegre denuncia que 80% do concelho está sem televisão
Com o “apagão” final das emissões de televisão em sinal analógico no passado dia 26 de Abril, cerca de 80% da população ficou sem Televisão Digital Terrestre (TDT) ao ser forçada a recorrer a serviços pagos, denuncia a autarquia barrosã. A ANACOM nega e defende que todos os barrosões têm acesso gratuito à televisão, mas o autarca Fernando Rodrigues está disposto a assumir metade dos custos para ligar um dos antigos emissores.
A Câmara Municipal de Montalegre acusa a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) e a Portugal Telecom (PT) de deixar quase 80% da população do concelho sem televisão ao obrigá-la a pagar para ter cobertura de Televisão Digital Terrestre (TDT), já que apenas um transmissor assegura a emissão digital na vila e nas aldeias circundantes, estando o restante concelho “apagado do mapa”. Em comunicado divulgado na passada segunda-feira, 14 de Maio, o município barrosão acusa o contrato celebrado entre as duas entidades de ser “um ultraje à dignidade dos portugueses e particularmente dos barrosões”.
No comunicado, é expresso que “o concelho de Montalegre, nos seus 808 km de superfície e 135 aldeias, foi um dos que ficou a preencher a quota dos 10% do território que as ditosas mentes gestoras de todo este processo dispensaram à PT de cobrir”. Estando todo o território do Baixo Barroso sem qualquer acesso ao sinal televisivo digital, o município de Montalegre garante ter tentado “partilhar com a operadora PT os custos de conversão do emissor da Cerdeira, que cobria a quase generalidade do território barrosão, assim como parte significativa do concelho de Vieira do Minho. Deram-nos como resposta haverem cumprido com o acordado e a nada mais se obrigarem”. De acordo com a autarquia, o norte do concelho, nomeadamente Vilar de Perdizes e Tourém, duas “localidades dotadas com retransmissores das Juntas de Freguesia e que a PT pura e simplesmente desactivou, socorrem-se dos canais galegos e espanhóis”, que têm quatro dos 24 canais em emissão aberta.
“Porque é que em duas aldeias vizinhas, uns pagam o dobro para ver televisão?”
Embora a resolução do problema não seja responsabilidade da autarquia, o autarca Fernando Rodrigues disse à Voz de Chaves estar disposto a assumir um encargo suplementar para voltar a ligar o segundo dos três transmissores que funcionavam no tempo do analógico (Montalegre, Cerdeira e Tourém) para “aliviar” o bolso dos barrosões. Contudo, o edil exige o apuramento de responsabilidades e aponta o dedo à ANACOM, que “devia obrigar a PT a prestar o mesmo serviço em todo o país”, já que cerca de 80% da população do concelho é obrigada a investir na compra e instalação de uma antena parabólica para receber o sinal por satélite (DHT), que rondará os 160 euros. “Porque é que em duas aldeias vizinhas, uns pagam o dobro para ver televisão?”, indigna-se Fernando Rodrigues.
Após a divulgação do comunicado, a ANACOM reagiu com outro comunicado, contrariando o autarca Fernando Rodrigues e assegurando que “todas as pessoas recebem os quatro canais ‘em condições’ e de forma gratuita”. “Em Montalegre, a cobertura terrestre é de 55,6%, o que significa que mais de metade da população recebe o sinal por via terrestre e as restantes 46% das pessoas recebem o sinal gratuito por satélite”, assegura a ANACOM, garantindo ainda que Montalegre tem 35 freguesias e, em apenas oito delas, o sinal chega por satélite. De resto, acrescenta a entidade, “por não obterem a RTP e TVI de forma clara existiam ‘muitas pessoas’ com serviços pagos de televisão” (cerca de 51%), que podem agora aproveitar a antena parabólica instalada para usufruir de televisão gratuita. Para Fernando Rodrigues, esta é mais uma estatística feita em Lisboa e que não tem em conta a realidade no terreno.
Na passada terça-feira 15 de Maio, as Câmaras de Montalegre, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto realizaram uma conferência de imprensa conjunta, alegando padecer do mesmo problema e acusando a ANACOM e a PT de “marginalizar” as populações do Interior. Na conferência, o vice-presidente do município de Montalegre, Orlando Alves, defendeu que “a população rural é envelhecida, depauperada e não domina a tecnologia”, estando por isso “indefesa contra o negócio sujo entre a ANACOM e a PT”. Também a Associação Nacional de Municípios Portugueses foi alvo de críticas por não ter assumido responsabilidades quando foi alertada para a situação.
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